Vídeo narrativa do Eu Tenho Voz é premiada em festival de cinema

A vídeo narrativa “História de Marias”, da série “Marcas da Infância: Vozes na Nuvem”, criada pela Cia NarrAr Histórias Teatralizadas especialmente para o Projeto Eu Tenho Voz Na Rede, do Instituto Paulista de Magistrados (IPAM), ganhou o prêmio de melhor roteiro e dramaturgia da 1ª Mostra Picuá de Cinema e Literatura, realizada na Serra do Tepequém, em Roraima, nos dias 19 e 20 de novembro. A vídeo narrativa já havia sido escolhida para participar de outros dois festivais de cinema: 3ª edição do Festival Curta (C)errado e da Mostra de Cinema da Casa em Casa.

“Acho que o prêmio foi hiper merecido, um reconhecimento ímpar e inédito, principalmente porque essa vídeo narrativa foi criada com um objetivo específico: abordar a violência sexual contra crianças e adolescentes de uma forma que pudéssemos abrir caminho para acessá-las por meio da arte, para levar a mensagem da importância de as vítimas buscarem socorro, quebrando o silêncio, e principalmente que nós acreditamos no que elas nos contam e vamos trabalhar para ajudá-las a resolver a violência que as envolve nesse momento. ‘História de Marias’ aborda com muita sensibilidade a violência geracional, e mostra como essa violência, passada de geração a geração, faz com que todos se tornem cegos ao que está ocorrendo e, de alguma forma, acabem compactuando com sua perpetuação”, diz a juíza Hertha Helena de Oliveira, 2ª vice-presidente do IPAM, idealizadora e coordenadora do projeto.

Segundo a magistrada, a atriz Patrícia Torres foi extremamente feliz na forma como abordou o tema da violência sexual. “Ela conseguiu tratar o assunto nessa vídeo narrativa com tanta arte e poesia, apesar de o tema ser tão pesado, triste e urgente, que todos ao assistir conseguem se enxergar na história de tantas Marias”, afirmou. Para a 2ª vice-presidente do IPAM, a parceria com a NarrAr foi fundamental para o projeto: “Eu fiquei muito feliz por ter artistas como Patrícia Torres, Vânia Lima, Fabrício Zavanella e a Daniela Cavagis atuando em parceria com o IPAM no Projeto Eu Tenho Voz, porque sem a arte nós não teríamos como atingir o coração de todos aqueles que são envolvidos em nossas apresentações nas escolas. Não só as crianças, mas também os professores, diretores, coordenadores, serventes, que muitas vezes também foram vítimas dessa violência geracional, e que de alguma forma têm a possibilidade de prevenir e impedir que esse ciclo de violência tenha continuidade”, concluiu.

A atriz Patrícia Torres, que é também professora da rede pública de ensino de São Paulo, comentou a surpresa de ter recebido o prêmio: “Eu fiquei imensamente feliz e surpresa por receber esse prêmio. E como a dramaturgia diz, são muitas Marias que tecemos na construção e combate das violências físicas e sexuais contra crianças e adolescentes. São muitas narrativas misturadas e várias vozes, que eu fui escutando ao longo dessa caminhada de cinco anos com o projeto Eu Tenho Voz. Ganhar esse prêmio alegra o meu coração, fortalece a minha caminhada, renova a minha esperança da importância da arte para transmutar as energias sombrias, que infelizmente ainda vivemos em nossa sociedade. Eu não gostaria que essas histórias fossem reais, de crianças que são violadas dentro de casa pelo pai, tio, padrasto. E a escola ainda é o lugar mais seguro para uma criança, onde ela consegue ter uma rede de proteção, desabafar através de uma conversa, de uma escuta sensível, e pedir ajuda para a professora, coordenadora, inspetora, diretora. Eu fico feliz que com essa premiação possamos ganhar voos maiores, porque a intenção desse projeto é a mediação, prevenção e o combate às violências contra as nossas crianças e os nossos adolescentes”.

Curta “História de Marias”

Ficha técnica:

Idealização, direção cênica, texto e encenação: Patrícia Torres

Direção, captação, ilustração e montagem: Marcos Sassá

Produção Audiovisual: Shot Filmes

Parceria: Projeto Eu Tenho Voz |  https://www.eutenhovoz.com.br/

Sinopse: A dramaturgia é costura por muitas vozes das nossas crianças. Maria foi (é) abandonada pela mãe. Maria foi (é) violentada pelo namorado da avó. Maria foi (é) abusada pelo tio. Maria tinha (tem) um segredo sufocado. Maria sonhou (sonha) em morar no céu. Maria desenhou (desenha) seu braço com um instrumento afiado, tentando cortar as violências marcadas em seu corpo e sua alma. E a mãe da Maria? As mães das Marias? Também viveu (vivi) as violências. Maria! Marias, caíram em nossa rede de proteção acolhidas por professoras, juízas, psicólogas que pisam o chão da escola com Projeto Eu Tenho Voz.

Faixa etária: a partir dos 12 anos.

Assista aqui.

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