“A Fada e a Sombra”, vídeo do Projeto Eu Tenho Voz do IPAM, vira livro

Uma das narrativas audiovisuais criadas para o Projeto Eu Tenho Voz na Rede do IPAM, a história “A Fada e a Sombra”, vai virar um livro com o mesmo nome. O projeto é da atriz e pedagoga Vânia Lima, uma das integrantes do espetáculo teatral “Marcas da Infância”, apresentado no Projeto Eu Tenho Voz presencial, e que utiliza diálogos lúdicos para refletir de forma leve e acolhedora o abuso sexual infantil.

A publicação será lançada no dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate e Prevenção da Violência Sexual Infantil, no Sesc de Piracicaba e tem apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do ProAc (Projeto de Ação Cultural). O projeto, que está em fase de diagramação com Murilo Caveira e ilustrações de Fabio Andrade, teve a parceria do pedagogo Felipe de Menezes e a primeira remessa impressa, de 200 exemplares, será totalmente doada para várias escolas de educação infantil da cidade de Piracicaba.

“O livro, na verdade, é uma ramificação da peça ‘Marcas da Infância’, na qual presencialmente contemplamos, com as histórias, crianças e adolescentes de 7 a 14 anos. Eu sempre tive uma inquietação, a partir de relatos de muitos professores da educação infantil, sobre como se poderia abordar o tema do abuso sexual com crianças mais novas. Por incrível que pareça, nas oficinas que fizemos com a peça, ainda antes da pandemia, íamos para várias cidades e apresentávamos o espetáculo, mas antes fazíamos o curso de capacitação com os professores, e muitos deles, que estão na educação infantil, relatam casos de abuso de crianças de apenas 2 anos. Apesar de muitas vezes a criança narrar o abuso de maneira muito objetiva, por se tratar de crianças muito pequenas, as coisas acabavam não indo para frente, ou o professor fingia que nada estava acontecendo por não saber como lidar com a situação”, lembra a atriz Vânia Lima.

Como artista e uma das autoras dos textos de “Marcas da Infância”, Vânia Lima vive com a preocupação de como abordar o abuso sexual com crianças e, na chegada da pandemia, veio a oportunidade da construção da narrativa audiovisual sobre uma Fadinha. “Quando fizemos o Eu Tenho Voz na Rede, criamos as narrativas audiovisuais para também serem passadas nas escolas, assim como era realizado no projeto presencial, mas de maneira remota. Eu construí a dramaturgia da Fadinha pensando em crianças mais novas. Foi assim que surgiu essa coisa do corpo sagrado, que traz o sentido de prevenção, mas com uma linguagem própria para abordar o tema com as crianças mais novas, e a criança ao assistir já vai ali e narra o que está acontecendo de errado com ela. E na primeira vez que eu apresentei essa narrativa, a Daniela Cavagis, que é uma das integrantes do espetáculo, me disse que a construção da história tinha tudo para virar um livro”, conta a atriz, que decidiu escrever o projeto e enviar ao ProAc, e que acabou sendo contemplado pelo edital 19 de 2021.

“Só por isso está sendo possível realizar esse trabalho, porque é muito difícil para os artistas a questão de verba para se construir um livro. O projeto só foi possível por conta da verba do ProAc. Eu então convidei o Fabio Andrade, um artista que eu admiro há muito tempo, pois trabalhamos juntos em 2014, para entrar nessa empreitada e construir o livro junto comigo, criando as ilustrações”.

O ilustrador Fabio Andrade diz que “desde o começo, quando a Vânia me falou desse projeto, eu achei sensacional como pai e como professor de artes. Eu vejo tanto nas escolas algumas dessas situações. É muito complicada a forma de abordar esse assunto. Como professor há uma barreira entre professor e pai. E o projeto de ir para o livro é uma maneira de prevenção, mas também de comunicar de uma forma lúdica. Foi um desafio muito interessante. Começamos a trabalhar com a questão da sombra, e os desenhos foram feitos com a técnica de light painting, que é uma técnica de pintura com luz, das fadas, seres especiais de luz, e essa sombra é o oposto da luz mas ambas convivem juntas. Não há luz sem sombra e vice-versa. A ilustração foi pensada em ser mais lúdica, com traços infantis, mas em ambientes reais, já que aborda um tema real em um ambiente real. Nem as sombras e nem as fadas tem expressões, mas demos mais atenção ao corpo e às expressões corporais. E temos as sequências de colocar várias fadas nos ambientes, e a cena final, do toque na asa, foi um grande desafio. Trabalho com 7 mulheres que  sentiram arrepios no final, com a arte do toque na asa. A imagem precisava passar a informação, sem ser agressiva, mas subliminar da situação de abuso vivida pela Fadinha”, detalha.

Segundo Vânia Lima e Fabio Andrade, o livro será todo em preto, diferentemente dos livros infantis que são coloridos. “Esse vai ser escuro, e o que emana luz são os seres que estão ali. A primeira remessa do livro não será vendida, será distribuída. O livro é acompanhado por atividades pedagógicas e tem orientações e apoio pedagógico para professores com sugestões de como se deve abordar o abuso sexual com seus alunos. Tem vídeos de apoio com as participações da 1ª vice-presidente do IPAM, juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, da psicóloga Beatriz Lorencini e da professora Patrícia Torres, e todos podem ser reproduzidos por meio do QRCode”, adianta Vânia Lima.

Sobre a sua participação no livro, a juíza Hertha Helena de Oliveira diz que “é uma fala gravada em audiovisual direcionada a professores mostrando como proceder e buscar orientação e auxílio caso receba a denúncia ou caso a criança resolva relatar o abuso sexual ou qualquer outro tipo de violência”. Ela ressalta que “o livro é importante porque é um instrumento, uma ferramenta a mais para que educadores e familiares possam abordar o tema do abuso sexual infantil com as crianças menores. Não é adequado só para menores, as maiores também têm interesse. Mas principalmente para o público infantil que hoje tem uma carência muito grande de instrumentos para se abordar esse tema. E a história da Fadinha é muito feliz, porque aborda o abuso de uma forma absolutamente lúdica e dá todos os mecanismos para que os pais, educadores, ou quem estiver tratando com a criança, possa falar sobre as partes do corpo, sobre a educação, que é essencial para evitar o abuso, e sobre a necessidade de compartilhar, de pedir ajuda se acontecer alguma coisa ruim”, finaliza.

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