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IPAM realiza apresentação do Projeto EU TENHO VOZ em busca de parcerias

02/05/2018

Notícias IPAM

IPAM realiza apresentação do Projeto EU TENHO VOZ em busca de parcerias

 *por Camila Rodrigues


O Instituto Paulista de Magistrados (IPAM) promoveu na quinta-feira, 26 de abril, um encontro com juízes, advogados, integrantes do setor educacional e representantes de ONGs com trabalhos sociais na área de infância e juventude para apresentação do espetáculo “Marcas da Infância” que faz parte do Projeto EU TENHO VOZ. O Projeto é uma iniciativa que tem levado o poder judiciário, através de magistrados, para escolas municipais e estaduais com o objetivo de combate à violência física e sexual de crianças e adolescentes.

Durante o encontro, a Juíza e Presidente do IPAM, Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, contou que dados do Centro de Referência às Vítimas da Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV) mostram que 87% dos casos de abuso sexual infantil ocorrem dentro seio familiar, normalmente praticado por pessoas de proximidade e confiança da criança. “Esse é um crime que acomete meninos e meninas. E, aproximadamente, apenas 1% de todos esses casos chegam até nós juízes”, ressalta. “Vocês sabem por que o resto não chega e porque não conseguimos combater o crime? Porque não existe a denúncia. O abuso leva o que a gente chama de síndrome do segredo, que é o silêncio que a vítima guarda para ela por motivos como medo, coação, culpa, falta de conhecimento, etc”, explica.

A peça “Marcas da Infância” retrata três memórias da infância que deixaram marcas difíceis de cicatrizar. Através de narrativa e música, o espetáculo traz de maneira leve a discussão de diferentes tipos de violência sem deixar de lado o recado do poder da voz nessas situações.  Desde que foi criado em 2016, o Projeto EU TENHO VOZ já atingiu mais de 10 mil crianças espalhadas pelo Brasil.

Patrícia Torres, atriz, educadora e produtora cultural da Cia Narrar – Histórias teatralizadas, reforça que as três histórias da vida narradas se entrelaçam na realidade cruel, onde é negada qualquer forma de poesia, magia  e amor. “Cada apresentação que fizemos era como se fosse um espelho que refletia a dura realidade de meninos e meninas violentados todos os dias. Histórias de crianças e adolescentes que são privados dos seus direitos constitucionais. Através desse projeto, utilizamos o poder na arte na troca das escutas”, diz.

Hertha explica que o projeto social do IPAM surgiu para atacar essa questão do silêncio. “Ninguém confia naquilo que não conhece. Então decidimos aproximar o judiciário das escolas e dialogar com a juventude para mostrar que é possível ‘quebrar o silêncio’. De forma lúdica, o nosso foco é mostrar para as crianças e adolescentes que a voz deles é a melhor defesa, que ele pode denunciar e nós ensinamos o que ele pode fazer para denunciar a violência”, enfatiza a Juíza.

IPAM realiza apresentação do Projeto EU TENHO VOZ em busca de parcerias

O Projeto EU TENHO VOZ começou a receber denúncias desde a primeira apresentação e esse movimento levou os representantes e elaborar novas fases do projeto. A segunda etapa é a capacitação e orientação para os educadores da rede municipal e estadual sobre como lidar com isso e qual é o fluxo para encaminhar questões como essa para que o combate seja efetivo. O IPAM firmou convênio com as secretarias estadual e municipal para promover esse curso técnico e ampliar a capilaridade do projeto.

Itamar Gonçalves, gerente de Advocacy da Childhood Brasil, ficou muito emocionado ao conhecer de perto o Projeto EU TENHO VOZ e assistir à peça com roteiro construído especialmente para combater a questão. “O espetáculo dá empoderamento para as crianças. Ele dá voz diz para elas que o que aconteceu não é responsabilidade dela, diz que é possível construir um vínculo com uma pessoa de confiança para falar dessa situação ocorrida e, mais do que isso, que há uma resposta para o que aconteceu”, comenta.

“Aproximar o juiz da comunidade fortalece o combate e é fundamental nesse tipo de luta. Então essa aproximação nas escolas permite que aquela comunidade saiba que pertence a uma comarca, que tem um responsável ali e que é um direito acessar esse serviço, acessar de forma respeitosa e ser respeitado nesse processo”, enfatiza o representante da Childhood Brasil

A terceira etapa do projeto, ainda em busca de parcerias, é disponibilizar um corpo técnico de psicólogos e assistentes sociais do projeto para realizar uma mediação com a família e fazer o acompanhamento das denúncias nos primeiros três ou quatro meses. A ideia é garantir a “segurança” da criança ou adolescente que criou coragem para falar sobre o abuso. 

“A violência sexual é multicausal, então saber em qual comunidade a criança ou adolescente está inserido e ajudar nessa organização local dos encaminhamentos das denúncias faz toda a diferença”, acredita Itamar. “Faz muita diferença para esses educadores e crianças que estão recebendo o projeto saber que o Juíz, o Promotor, os integrantes da rede social tem carne, osso, sente dor, se emociona e pode ser respeitoso numa relação direta na comunidade”.

 

“Eu tenho voz. Eles têm voz. Nós temos voz. Por isso, nós precisamos gritar que essas crianças elas não estão sozinhas, que elas não precisam ficar caladas e que elas não são culpadas, para que essa luta seja de todos nós. Narrar, escutar, dialogar e transformar”, finaliza a atriz Patrícia Torres.

Após a apresentação da peça, os participantes foram convidados para uma roda de debates onde foram discutidos os principais desafios para o projeto. Além disso, a presidente do IPAM fez o convite para que novos parceiros se unam à iniciativa para que a terceira fase seja realizada ainda este ano.


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