Blog

IPAM promove curso de sensibilização contra violência sexual infantil para educadores

24/04/2018

Notícias IPAM

IPAM promove curso de sensibilização contra violência sexual infantil para educadores

 Projeto EU TENHO VOZ será realizado em 40 escolas em 2018

                                                                                                                                                         *por Camila Rodrigues


O Instituto Paulista dos Magistrados (IPAM) realizou nos dias 19 e 20 de abril o curso de capacitação e sensibilização contra o abuso sexual de crianças e adolescentes para os educadores da rede estadual de ensino. O encontro é fruto de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação para a realização do Projeto EU TENHO VOZ nas escolas estaduais de São Paulo.

A presidente do IPAM, Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, falou sobre o início do projeto e enfatizou que a participação dos professores nesta etapa é fundamental. “Quando o Projeto EU TENHO VOZ surgiu, nós queríamos aproximar o poder judiciário da comunidade e, especificamente, das escolas. Através dele nós queremos levar a mensagem de que a própria criança ou adolescente (vítima) pode reagir, que ela pode procurar socorro e buscamos ensinar como procurar esse socorro”, ressalta. 

A mesa de abertura do curso contou com a presença da juíza e presidente do IPAM; do juiz e presidente da Associação Paulista dos Magistrados (APAMAGIS), Fernando Bartoletti; da procuradora do Estado, Teresa Kodama; e das educadoras e supervisoras da Diretoria de Ensino – Região Norte 1, Néjela Cristina Pedro Targhetta e Sara Xavier dos Santos.

Fernando Bartoletti ressaltou que em tempos de crise econômica, o número de casos desses ilícitos penais graves cresce e a escola tem papel importante na identificação e prevenção desses tipos de violência. “O abuso e as violências física e psicológica acontecem no seio familiar, na escola e no entorno. Por isso é muito importante contar com vocês professores nesses projetos sociais. Precisamos do envolvimento de toda a sociedade para ajudar a prevenir esses traumas que são difíceis de apagar”, disse.

 

Primeiro dia

O encontro realizado em dois dias foi dividido em temáticas. Na manhã do primeiro dia, os participantes assistiram a palestra “A Justiça Restaurativa”, ministrada por Egberto de Almeida Penido, juiz titular da 1ª Vara Especial da Infância e Juventude da Capital/SP e integrante da CIJ/TJSP responsável pela área de Justiça Restaurativa e por Andrea Svicero, assistente social, supervisora da Seção Técnica de Justiça Restaurativa da CIJ/TJSP. Durante a apresentação, os palestrantes abordaram os temas: Cultura de Paz; Justiça Restaurativa – Conceitos, princípios e dimensões e Escola restaurativa.

No período da tarde, os professores assistiram duas palestras. Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira ministrou a palestra “Introdução aos métodos consensuais de solução de conflito” e deu um panorama dos temas: Comunicação, Linguagem e Conflito; Teoria da Comunicação – Escuta ativa e Aspectos sociológicos e psicológicos, e Teoria Geral do Conflito. A segunda palestra com o tema “Mediação Escolar” foi ministrada pela psicóloga e mediadora Mônica Haydée Galano, que trouxe para o debate questões como: O porquê da mediação escolar; Desafios relacionais na escola; A ideologia da aula pacífica; Prevenção e Intervenção, além de exemplificar as etapas de como implementar a mediação escolar.

 

IPAM - Curso de sensibilização contra violência sexual infantil para educadores

Segundo dia

Na sexta-feira, o tema do curso foi focado no combate à violência sexual e os participantes puderam compartilhar histórias vivenciadas nas escolas, debater o problema e tirar dúvidas sobre os procedimentos corretos a serem adotados diante desse tipo de situação. Durante a manhã, representantes do Centro de Referência às Vítimas da Violência do Instituto Sedes Sapientiae (CNRVV) apresentaram a palestra “Prevenção e Combate à violência doméstica contra crianças e adolescentes” que abordou os temas: Marcos conceituais; Psicodinâmica familiar abusiva; a Intervenção transdisciplinar e o trabalho em rede intersetorial.

No período da tarde, todos se dirigiram para o Tribunal de Justiça de São Paulo, no Auditório do GADE 9 de Julho, para assistir a peça teatral do Projeto EU TENHO VOZ que é apresentada nas escolas. O espetáculo  “Marcas da Infância”, desenvolvido pela Cia, Narrar – Histórias teatralizadas, aborda a temática do abuso sexual e maneiras de prevenção de forma lúdica.  Durante a apresentação, três narradoras dividem a cena contando histórias de sua infância e falam sobre marcas de abusos e medos.

Após a apresentação, foi realizado um debate para discutir o papel da educação na identificação precoce dos casos e a importância da parceria com os atores da rede de proteção à infância e juventude. A presidente do IPAM acredita que as escolas ainda são um espaço de segurança para essas crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e que é preciso trabalhar em conjunto para desenvolver um trabalho sólido em defesa dos menores.

"Marcas da Infância"

“São vocês (os professores) que estão lidando diretamente com a realidade o tempo todo. A escola ainda é o reduto de segurança dessa juventude. Por isso, queremos nos aproximar de vocês e por meio dessa troca, levar informações importantes do setor jurídico e também colher o conhecimento daqueles que lidam diretamente com o problema. Estamos em parceria, trabalhando unidos em favor das crianças”, enfatiza Hertha.

A peça “Marcas da Infância” é encenada nas escolas e, após a apresentação, um juiz voluntário promove um debate com estudantes, professores e psicólogos para desmistificar algumas questões e ensinar como as crianças e adolescentes podem procurar ajuda e denunciar essa situação. “Estamos indo até uma pessoa que sofre e estamos dizendo que ela não deve ficar em silêncio. Dizemos que ela precisa procurar socorro, que ela precisa falar e que nós iremos ajudar. Então, temos o compromisso de garantir que cada caso seja acompanhado de forma adequada”, ressalta a presidente.

No decorrer do trabalho desenvolvido pelo Projeto EU TENHO VOZ, os organizadores identificaram a necessidade de se ter nas escolas alguém que seja de confiança e também uma referência para que as crianças e adolescentes possam buscar ajuda. A partir dessa perspectiva, o curso de sensibilização foi idealizado para capacitar os educadores antes de receber o projeto na escola. 

Para Sara Xavier dos Santos, educadora e supervisora de Ensino da Diretoria de Ensino – Região Norte 1, esse curso de sensibilização é fundamental para empoderar os professores sobre as maneiras de lidar com esse problema. “Esse curso é importante para tirar dúvidas de como a gente pode auxiliar. Precisamos saber como e para onde encaminhar as denúncias para que esses casos não fiquem sem solução”, ressalta. “Além disso, esse aprendizado vem através de um juiz, que é uma pessoal que tem a força da lei e não apenas uma sustentação teórica sobre o tema. Eles estão dizendo pra gente que não estamos sozinhos nessa luta. Estão mostrando os caminhos e dizendo que é sim possível combater o problema. Isso faz toda a diferença”.

IPAM promove curso de sensibilização contra violência sexual infantil para educadores - parte 2

Aproximadamente cinquenta professores da rede estadual participam do curso e puderam tirar dúvidas e debater estratégias para combater esse tipo de problema. A próxima etapa será realizar o mesmo curso para os educadores da rede municipal de ensino.